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Institucional

PAM completa quatro meses com mais de 24 mil acolhimentos em Ribeirão Preto

Primeiro pronto atendimento em saúde mental do país recebeu 6.310 pacientes distintos desde a inauguração

PAM completa quatro meses com mais de 24 mil acolhimentos em Ribeirão Preto

 

Até junho, uma crise de ansiedade em Ribeirão Preto tinha um destino: a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) mais próxima. Lá, o paciente esperava ao lado de vítimas de acidente, de quem tinha febre alta ou dor no peito, e muitas vezes passava longos períodos na unidade.

Desde 8 de junho, a cidade tem um endereço próprio para esses casos. O PAM (Pronto Atendimento em Saúde Mental), no bairro Quintino Facci 2, na zona norte, é o primeiro serviço do tipo no Brasil a funcionar de porta aberta 24 horas, todos os dias, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento.

Nos primeiros quatro meses, até 7 de outubro, a unidade registrou 24.266 acolhimentos (o registro feito toda vez que um usuário chega), uma média de 277 por dia. Ao todo, 6.310 pacientes distintos foram atendidos.

“Muito mais que número, o maior ganho da população foi o acesso mais rápido do paciente em crise à equipe de saúde mental”, afirmou o médico psiquiatra Renan Maekawa, coordenador do PAM.

Quem procura

O perfil de quem chega ao PAM é parecido com o que pesquisas de saúde mental costumam mostrar, as mulheres em idade produtiva. Foram 3.991 mulheres no período, e 2.318 homens. 

A faixa dos 20 aos 49 anos concentrou 4.011 pacientes. Outros 1.501 têm 50 anos ou mais. Já entre os mais novos foram 690 adolescentes e jovens entre 10 a 19 anos, e 108 crianças de até 9 anos.

De acordo com o coordenador do PAM, os adultos chegam principalmente com quadros de ansiedade e depressão. Com as crianças, o cenário é outro e a maior parte dos atendimentos envolve crises de pacientes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador) e TEA (Transtorno do Espectro Autista). Depressão e ansiedade aparecem em uma parcela menor.

O modelo aposta em equipe multiprofissional e após o primeiro acolhimento, o paciente é avaliado e pode passar por mais de um profissional. A enfermagem fez 11.787 atendimentos no período e a psiquiatria, 8.815. Depois vêm psicologia (2.949), serviço social (1.930), terapia ocupacional (790) e psiquiatria infantil (190).

A unidade tem 19 leitos, dos quais 14 de observação, 4 de urgência e 1 de isolamento. No mesmo complexo funciona o CAPS III AD (Álcool e Drogas).

Para o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, a criação do serviço corrige uma distorção antiga. “Durante muito tempo, o paciente em crise de saúde mental chegava à UPA e permanecia em um ambiente que não era pensado para ele. Saúde mental é saúde e merece a mesma prioridade”, afirmou.

A mudança também tira a pressão das UPAs, que antes precisavam manter em observação pacientes que pediam outro tipo de cuidado.

Para quem é

O PAM é voltado a situações de urgência e emergência, como crises de ansiedade intensas, surtos psicóticos, agitação psicomotora, risco de suicídio e crises ligadas ao uso de álcool e outras drogas. Crianças e adolescentes têm fluxo separado dos adultos.
Os casos que não são de crise continuam em acompanhamento nos CAPS e na Atenção Primária.

Serviço
PAM (Pronto Atendimento em Saúde Mental)
Endereço: Rua Bruno Pelicani, 70, Quintino Facci II
Funcionamento: 24 horas, todos os dias da semana
Atendimento por demanda espontânea, sem agendamento