Um em cada quatro agendamentos na rede municipal de saúde de Ribeirão Preto não acontece porque o paciente não comparece. De janeiro a setembro deste ano, foram 1.280.076 consultas, exames e procedimentos agendados e 315.485 faltas, um índice de 24,6%. Em média, são mais de 1.100 atendimentos perdidos por dia. Os dados são de levantamento da Secretaria Municipal da Saúde e incluem a Atenção Primária, a atenção especializada e os prestadores de serviço.
Nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e USFs (Unidades de Saúde da Família), o levantamento considerou as cinco especialidades mais comuns na rede: Clínica Médica, Saúde da Família, Pediatria, Ginecologia e Odontologia. Nessas cinco especialidades, foram 384.879 consultas agendadas e 91.333 faltas no período, um absenteísmo de 23,73%.
A Pediatria tem o maior índice de faltas: das 74.248 consultas marcadas, 19.687 ficaram vazias, num absenteísmo de 26,5%. Em seguida vêm a Ginecologia, com 69.398 agendamentos e 17.669 faltas, e a Odontologia, com 51.847 consultas e 13.044 faltas.
A Clínica Médica, que concentra o maior volume, registrou 186.137 agendamentos e 40.197 ausências. Já nas consultas com médicos de Saúde da Família, foram 736 faltas em 3.249 agendamentos.
Acompanhamento na unidade evita agravamento
É na unidade de saúde do bairro que o paciente faz o acompanhamento contínuo da saúde, com consultas de rotina, controle de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, pré-natal, puericultura, vacinação e exames preventivos. Esse cuidado permite identificar problemas cedo, ajustar tratamentos e evitar que uma condição simples se agrave.
Quando o acompanhamento é interrompido, a tendência é que o paciente só procure atendimento quando os sintomas já estão mais fortes, e muitas vezes direto na UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
De janeiro a setembro, as cinco UPAs da cidade fizeram 704.832 acolhimentos, que resultaram em 1,5 milhão de atendimentos, uma média de 5.354 por dia. Cerca de 80% dos casos eram de menor gravidade, classificados como verde na triagem, o que equivale a aproximadamente 564 mil acolhimentos.
Ao todo, 255.052 pessoas passaram pelas UPAs no período, o que significa que, em média, cada paciente voltou quase três vezes ao pronto atendimento em nove meses.
O impacto também reflete nos atendimentos de média e alta complexidades, quando o paciente é encaminhado para consultas com especialistas, exames e procedimentos específicos realizados em hospitais e serviços de referência, depois de passarem por regulação.
Ao perder um desses agendamentos, o paciente necessita de nova solicitação e entra no fim da fila.
“São mais de 315 mil atendimentos perdidos em nove meses. Enquanto uma pessoa não aparece, outra está esperando por aquela consulta, exame ou procedimento. Ampliamos vagas, criamos serviços como a Telessaúde, mas o sistema só funciona se cada um fizer a sua parte. É importante também que os pais se atentem sobre a importância do cuidado da saúde das crianças em consultas de rotina e não faltem”, afirma o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho.